Coliseu do Porto recebe luz verde para "intervenção urgente"
- Luizi Duarte
- 30 de dez. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 13 de jan. de 2024
Obras na sala de espetáculos vão custar 300 mil euros e arrancam dentro de semanas. Mas há divergência que levantam dúvidas: a ideia de concessão do espaço pode ser ressuscitada para garantir recursos financeiros.
Num comunicado publicado no dia 27 de dezembro, lê-se que foi assinado um protocolo entre a Direção Regional de Cultura do Norte, a Direção-Geral do Património Cultural e a Associação dos Amigos do Coliseu do Porto que representa um marco significativo na preservação do Coliseu do Porto. Com uma verba total de 300 mil euros, a iniciativa visa realizar obras urgentes na cobertura do icónico espaço cultural do Porto.
De acordo com um comunicado do Ministério da Cultura, o governo vai contribuir com 150 mil euros para a reabilitação do Coliseu do Porto. O acordo destaca a relevância do programa de intervenção, que assume caráter prioritário para a salvaguarda e valorização de uma das salas de espetáculos mais antiga do Porto - data de 1941.
Por agora, referem-se "obras de reabilitação da cobertura", uma "intervenção urgente" para um problema que estava já a provocar a interdição de alguns camarotes e devido à qual se tinha já colocado uma rede no teto para evitar a queda de estuques na plateia.
A Câmara Municipal do Porto também se comprometeu com 100 mil euros, enquanto instituições como a Associação Comercial do Porto e a Irmandade dos Clérigos, juntamente com contribuições individuais e coletivas, vão complementar os 50 mil euros restantes.
Em paralelo, o Ministério da Cultura planeia atribuir, em 2024, mais 200 mil euros por meio de um Protocolo de Apoio Financeiro, destinados à produção de atividades culturais no Coliseu do Porto. O Ministério da Cultura enfatizou a singularidade do Coliseu do Porto na região, assumindo a responsabilidade do governo em apoiar e encontrar soluções para garantir o futuro "de uma das salas mais emblemáticas do país”.
Porém, ainda há pendências e divergências quanto às obras estruturais de fundo, cuja candidatura a fundos europeus foi aprovada por alguns municípios da Área Metropolitana do Porto (AMP), mas sete recusaram a proposta.
Obras a fundo ficam por fazer
Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal, manifestou a disposição da autarquia em avançar com uma candidatura individual para garantir os fundos necessários. No entanto, de acordo com o Jornal de Notícias, expressou incertezas quanto à viabilidade dessa abordagem: "Não sei se podemos". A falta de consenso entre os 17 autarcas da AMP levantou a possibilidade de ressuscitar a concessão de equipamento como alternativa para garantir os recursos financeiros necessários.
A discordância surgiu durante uma nova deliberação do Conselho Metropolitano, realizada a 15 de dezembro, sobre a distribuição do apoio financeiro a ser concedido por cada um dos 17 municípios. Sete municípios votaram contra, colocando em causa montantes significativos, "cento e poucos mil euros", conforme mencionado por Rui Moreira. O presidente da Câmara Municipal do Porto afirmou que a verba do próprio município destinada aos fundos já estava distribuída, o que adiciona complexidade à situação.
Dessa forma, enquanto a reabilitação do Coliseu do Porto recebe apoio financeiro do governo, da Câmara Municipal do Porto e de outras entidades, a possibilidade de concessão ressurge como uma alternativa em face da falta de consenso na AMP, lançando dúvidas sobre o destino final das obras de reabilitação do espaço cultural, que entra em obras dentro de semanas.
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