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Vidas Passadas: entre o que somos e o que poderíamos ser

  • Foto do escritor: Beatriz Magalhães
    Beatriz Magalhães
  • 12 de jan. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 13 de jan. de 2024

Crítica. No filme de estreia de Celine Song como diretora, o tempo interlaça-se com o destino numa harmoniosa representação das relações humanas. O provável romance do ano, num romance que nunca o foi.

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Greta Lee e Teo Yoo dão vida a Nora e Hae Sung, respetivamente. Foto: A24

Com um currículo modesto, marcado pelo argumento da série "The Wheel of Time", da Amazon, Celine Song surge do anonimato como nome de destaque no panorama do cinema em 2023.

 

"Vidas Passadas", uma co-produção da A24, é a primeira longa-metragem da realizadora sul-coreana, e conta já com inúmeras nomeações nas grandes premiações, como foi o caso das nomeações para Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Diretor e Melhor Atriz de Drama nos Globos de Ouro.

 

Escrito e realizado por Song, o filme conta a história de Nora (Greta Lee) e Hae Sung (Teo Yoo), amigos de infância que perdem o contacto no seguimento da emigração da família de Nora para o Canadá.

 

A breve sinopse revela-nos mais acerca da película do que aparenta à primeira vista, sendo que os seus pilares residem aí mesmo - na distância, quer temporal, quer geográfica.

 

A realizadora leva-nos em viagens de 12 anos à volta do globo, sendo que a história se inicia quando Nora e Hae Sung possuem esta mesma idade e percorrem as ruas de Seoul, na Coreia do Sul, enquanto voltam para casa da sua escola.

 

Ao pequeno segmento inicial de contextualização rapidamente é adicionado uma dúzia de anos. A este ponto, Nora - já a viver em Nova Iorque e a trabalhar como dramaturga – retoma o contacto com Hae Sung – ainda residente na Coreia – através da internet. Apesar da clara conexão entre os dois, a comunicação voltou a cessar graças a impedimentos decorrentes das implicações rotineiras da vida.

 

Só 12 anos depois é que, finalmente, vemos o reencontro pleno suceder – Hae Sung viaja até aos Estados Unidos para visitar a amiga.

 

Aquando do encontro, cada um já passou pela sua própria transformação pessoal, com diferentes caminhos traçados, experiências acumuladas e novas relações – como, por exemplo, o casamento de Nora com Arthur (John Magaro), um escritor que conheceu numa casa de artistas.

 

Num filme repleto de "e se’s", surge o conceito central de "in-yun" que, com enfoque no destino,  sugere que cada pessoa com a qual interagimos já teve alguma relação connosco numa vida passada. Constituindo um trabalho bastante filosófico e metafísico, a ligação entre todas as personagens é questionada e tida em conta ao longo de duas horas.

 

Celine Song leva a cabo um filme que poderia cair facilmente no clichê dos triângulos amorosos da tela de cinema, sem nunca o fazer. “Vidas Passadas” vai muito para além disso, abordando de uma forma madura e quase íntima as emoções mais puras do ser humano.

 

Os visuais simples e a interpretação honesta dos atores principais, com especial destaque para Greta Lee - que, com uma prestação exímia, retrata na perfeição o conflito interior da personagem principal -, trazem uma dimensão humana e sensibilidade ao filme que não se esperaria na estreia de um(a) realizador(a).

 

Um filme que não se categoriza como apenas um romance, mas como uma viagem no tempo, com personagens que caminham em frente no percurso da vida sem nunca se desprenderem da memória do que um dia já vivenciaram.

 

Certamente comovente, "Vidas Passadas" tem data de estreia prevista para 8 de fevereiro de 2024 nas salas de cinema portuguesas.

 

 

 

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