Faz frio, mas a luta climática está quente: quem faz as manifestações em Portugal?
- Beatriz Magalhães
- 27 de nov. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 13 de jan. de 2024
Num panorama cada vez mais marcado pelas manifestações pelo clima, surgem coletivos que executam ações que reúnem multidões. Em Portugal, o movimento é levado a cabo, em grande parte, pela Greve Climática Estudantil e pelo Climáximo.

Desde 2022 tem-se assistido progressivamente a um escalar nas práticas desempenhadas pelos principais grupos de protesto climático.
Em Portugal, são de destacar dois destes coletivos: a Greve Climática Estudantil (GCE) e o Climáximo.
Os valores da GCE e do Climáximo assemelham-se: combatem por justiça climática e democracia energética, com o mote de acabar com a queima de combustíveis fósseis, que constituem a principal causa do aquecimento global.
Apesar do consenso no objetivo, é nos meios para o alcançar em que divergem a distinção entre os grupos.
União estudantil para um mundo sustentável
A Greve Climática Estudantil integra um coletivo de estudantes originado em março de 2019.
Aliado à Fridays for Future - juventude organizada no contexto de ação de Greta Thunberg e outros ativistas que, ao se sentarem à frente do parlamento sueco durante três semanas, chamaram à atenção para a falta de atitude face à crise climática -, organizaram a primeira greve às aulas pelo clima internacional.
Em 2022 decidiram alterar a sua conduta, passando a concentrar-se na ocupação de espaços académicos, mais precisamente de escolas e faculdades.
Até à data sobressaem dois momentos de ação da GCE – a ocupação de institutos académicos em novembro de 2022, e a “Primavera das Ocupas”, em 2023.
A 7 de novembro de 2022, a GCE efetuou a ocupação de seis escolas secundárias e faculdades em Lisboa, mais especificamente a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade NOVA de Lisboa, a Faculdade de Letras e de Ciências da Universidade de Lisboa, o Instituto Superior Técnico (IST), o Liceu Camões, e a Escola Artística António Arroio.
A ocupação durou uma semana e contou com a interrupção de aulas e outras atividades como palestras e distribuição de panfletos, tendo os alunos do IST inclusive conseguido abrir a discussão sobre o Plano Estratégico do Instituto e a inclusão de metas ambientais. Já em 2023, foi a "Primavera das Ocupas" que marcou o movimento da GCE.
O "Ocupa!" iniciou a sua campanha a 26 de abril, com a apropriação das escolas Luísa de Gusmão, Luís de Camões, Josefa de Óbidos e Rainha D. Leonor, em Lisboa, e a Escola Secundária Tomás Cabreira, em Faro. Para além destas escolas foram ainda agregadas as faculdades de Letras e de Psicologia da Universidade de Lisboa e o Instituto Superior Técnico.
Apesar do número avultado de ocupações, o pico da “Primavera” deu-se a 2 de maio, com a adição de 10 institutos à causa, sendo alguns destes a Escola Artística António Arroio, a Faculdade de Belas Artes, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, todas em Lisboa, a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e a Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
A ocupação de vários dias registou uma maior adesão de instituições em relação ao ano passado, com um igual aumento na difusão pelas redes sociais e nos média.
Os atos da Greve Climática Estudantil têm em vista o fim do uso dos combustíveis fósseis até 2030, uma eletricidade 100% renovável e acessível a todos até 2025, e a demissão do Ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva.
Ações extremas como arma social
Com reinvindicações semelhantes mas um público-alvo diferente, surge o Climáximo.
Criado há oito anos, o Climáximo não se centraliza num grupo social, juntando membros de todas as idades, quer sejam estudantes ou não.
Definindo-se como um coletivo “aberto, horizontal e anti-capitalista”, acredita que só a mudança do modelo económico atual pode colocar um ponto final à emissão de gases poluentes.
O grupo adota, no entanto, comportamentos mais extremos, com protestos de desobediência civil, contando já com inúmeras detenções de membros.
Com a promoção de ações de manifestação desde 2015, o Climáximo atingiu o ápice mediático em 2023, especificamente no mês de outubro, tendo levado a cabo atos como bloqueios no trânsito ou arremesso de tinta a figuras políticas e sedes de empresas, com divulgação nas redes sociais.
Seguindo um plano de "desarmamento e paz", com o ideal de cancelar todos os investimentos em combustíveis fósseis e promover a paz social, o movimento tem sido alvo de numerosas críticas à sua abordagem.
O debate sobre as alterações climáticas está cada vez mais presente no quotidiano, com o acentuar dos seus efeitos a revelar-se gradualmente mais notório.
Os movimentos da luta climática nacional assumem, portanto, um papel preponderante na preservação do ambiente e no assegurar de condições de vida às gerações futuras, pelo que é fulcral conhecer as suas reinvindicações e métodos de abordagem.
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