Guerras na Ucrânia e Israel desafiam a comunidade internacional: impactos e complexidades
- Jornal Vértice
- 17 de jan. de 2024
- 4 min de leitura
Enquanto a Ucrânia enfrenta uma invasão russa prolongada, a situação no Oriente Médio agrava-se com os recentes conflitos entre Israel e o grupo Hamas. A crise aprofunda-se, sem perspetiva iminente de resolução.
Tensões escalam na fronteira russo-ucraniana: ataque russo desencadeia conflitos e deixa vítimas
A fronteira entre a Rússia e a Ucrânia tornou-se palco de uma escalada de violência a 8 de janeiro, quando as forças russas lançaram um ataque em larga escala contra a Ucrânia.
O impacto foi imediato, com todas as regiões ucranianas a elevarem o seu nível de alerta máximo para risco de ataques aéreos. Os bombardeamentos atingiram casas, edifícios residenciais, um shopping e fábricas, resultando na perda de quatro vidas e vários feridos.
A capital ucraniana, Kiev, recebeu um alerta da Força Aérea, que solicitava aos cidadãos a procura de abrigo imediato devido à ameaça iminente de mísseis balísticos.
Em resposta, dezenas de pessoas procuraram refúgio nas estações de metro. A Força Aérea ucraniana relatou a interceção de 18 mísseis e oito drones durante o ataque, demonstrando os esforços para conter a ofensiva russa.
Em Kryvyi Rih, no sul do país, mais de 15 mil pessoas ficaram sem energia, e um shopping, juntamente com diversos edifícios, sofreu danos consideráveis.
Outras cidades, como Kharkiv e Zaporizhzhia, também foram alvo de bombardeamentos, atingindo tanto áreas industriais como residenciais, deixando um rasto de destruição e causando ferimentos a várias pessoas.
Este ataque representa uma escalada significativa em relação aos eventos recentes, contrastando com o padrão observado em 2023, quando as ações militares estavam mais concentradas nas frentes de batalha.
Desde o final de dezembro, as tropas russas têm mirado alvos civis na Ucrânia, culminando num dos maiores ataques coordenados a 29 de dezembro, que resultou em 30 mortos, incluindo o ataque a uma maternidade em Kiev.
Além disso, a situação intensificou-se com relatos de confrontos em várias regiões fronteiriças, como o bombardeamento ucraniano em Kursk, na Rússia, que resultou na morte de uma mulher, e o ataque ucraniano contra Belgorod, com pelo menos três pessoas gravemente feridas.
Desenvolvimentos Complexos: Israel anuncia mudanças na estratégia militar a meio de acusações de genocídio e desafios internacionais
A guerra em Israel continua a evoluir, conforme anunciado pelo Ministro da Defesa, Yoav Gallant. Segundo o mesmo, as forças israelitas estão a passar da "fase de manobras intensas da guerra" para "diferentes tipos de operações especiais".
Gallant mencionou que a próxima fase incluirá o norte, especialmente a Cidade de Gaza, onde as tropas israelitas têm controlo significativo. O ministro reconheceu a necessidade de considerar o grande número de civis na região e ajustar as táticas militares para minimizar o impacto sobre eles.
Enquanto isso, o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) está a avaliar uma acusação de genocídio apresentada pela África do Sul contra Israel, relacionada com os ataques na Faixa de Gaza. O presidente sul-africano defendeu a acusação, pedindo medidas de emergência para cessar as operações militares israelenses.
A empresa de transporte marítimo Hapag-Lloyd continua a desviar navios no Mar Vermelho devido à situação perigosa, enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) expressa preocupação com o colapso rápido dos hospitais no sul de Gaza.
Os ataques israelitas na Faixa de Gaza continuam a causar um alto número de vítimas, com o Ministério da Saúde a somar mais de 23.000 palestinianos mortos desde outubro.
A ministra dos Negócios Estrangeiros alemã, Annalena Baerbock, pediu ao Hamas para baixar as armas e destacou a importância do papel do Egito nas negociações.
Antony Blinken, durante a sua visita, mencionou a possibilidade de integrar regionalmente Israel após superar o "momento difícil" em Gaza.
No entanto, o presidente israelita rejeitou veementemente a acusação de genocídio feita pela África do Sul, chamando-a de "atroz e absurda".
Enquanto isso, Israel anunciou a morte de quatro soldados na Faixa de Gaza, elevando o total de perdas durante o conflito para 182.
Jornais internacionais divergem na cobertura dos conflitos
Durante o período de 15 de dezembro de 2023 a 1 de janeiro de 2024, diversos jornais internacionais apresentaram discrepâncias notáveis nas suas escolhas editoriais ao abordar os conflitos na Ucrânia e em Israel.
Analisando as quantidades de notícias publicadas por alguns veículos de comunicação proeminentes, como CNN, BBC, Euronews e Washington Post, emergem padrões que destacam as diferentes ênfases e prioridades adotadas por cada meio.

CNN: equilíbrio ténue entre as guerras
A CNN, conhecida pela sua cobertura global, manteve um equilíbrio relativo na divulgação de notícias relacionadas aos conflitos.
Com 42 notícias sobre a guerra na Ucrânia e 194 sobre Israel, o canal pareceu dar uma cobertura mais abrangente ao conflito israelita.
A abordagem pode refletir uma estratégia editorial de equilibrar o interesse do público em ambas as regiões.
BBC: maior foco em Israel, mas com espaço considerável para a Ucrânia
A BBC, fonte britânica conhecida pela sua imparcialidade, apresentou uma inclinação um pouco maior para a cobertura de Israel, com 70 notícias em comparação com 48 sobre a Ucrânia.
Ainda assim, a margem é relativamente estreita, sugerindo uma tentativa de fornecer uma cobertura equitativa, dada a importância dos eventos nas duas regiões.
Euronews: predominância da Ucrânia na sua agenda editorial
A Euronews, canal de notícias pan-europeu, mostrou uma clara preferência pela cobertura da guerra na Ucrânia, com 100 notícias, enquanto as notícias sobre Israel totalizaram 50.
Esse viés sugere uma maior sensibilidade para com os eventos na Ucrânia, possivelmente influenciado pela proximidade geográfica ou pela demografia da sua audiência.
Washington Post: relativa Neutralidade com inclinação para Israel
O Washington Post, veículo norte-americano de renome, adotou uma postura relativamente neutra, embora com uma ligeira inclinação para a cobertura de Israel.
Com 17 notícias sobre a Ucrânia e 26 sobre Israel, o jornal pode refletir uma maior atenção para com os interesses geopolíticos e estratégicos dos Estados Unidos na região.
A análise destes dados revela nuances nas escolhas editoriais dos jornais, indicando que cada veículo adota uma abordagem única ao cobrir eventos globais.
Estas disparidades podem ser influenciadas por diversos fatores, incluindo a geografia da audiência, interesses políticos e estratégias de aliciação do público.
A compreensão destas tendências é crucial para os leitores que procuram uma visão completa e contextualizada dos acontecimentos globais.
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