Imigrantes em Portugal dão lucro: contribuem sete vezes mais para Segurança Social do que recebem
- Carolina Bastos Pereira
- 19 de dez. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 13 de jan. de 2024
Os estrangeiros residentes em Portugal dão ao país cerca de 1600 milhões de euros, quase o dobro em relação há quatro anos, mas recebem menos. São os oriundos de países em desenvolvimento que recebem piores salários: menos 30% que os portugueses.
São 1861 milhões de euros trazidos este ano pelos residentes estrangeiros à Segurança Social portuguesa. Estes cidadãos, no entanto, receberam apenas cerca de 257 milhões de euros. Representam, desta forma, 13,5% dos contribuintes da Segurança Social - 1600 milhões de euros -, de acordo com o recém publicado relatório do Observatório das Migrações (OM).
O documento de 400 páginas da autoria da diretora da OM, Catarina Reis de Oliveira, e que analisa mais de 300 indicadores, apresenta, embora tenha sido publicado este ano, a maioria dos dados referentes a 2022. O relatório foi publicado hoje, e assinala o Dia Internacional dos Migrantes. No preâmbulo, Ana Catarina Mendes, Ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, deixa uma nota para o futuro:
"Continuaremos a defender e a trabalhar, no plano nacional como internacional, com uma perspetiva humanista das migrações na qual acreditamos, defendendo sempre as pessoas primeiro e o seu direito à mobilidade enquanto direito consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos", escreveu.
No relatório, conclui-se que "em 2022, mantendo a tendência de anos anteriores, os estrangeiros mostram maior capacidade contributiva que os nacionais para o sistema de segurança social", e ainda que "sem os imigrantes, alguns sectores económicos entrariam em colapso".
Os números duplicaram face ao relatório de 2019, mas os imigrantes são também cada vez mais: há quatro anos, representavam 5,7% da população, e são agora 7,5%. De acordo com o Relatório de Imigração do SEF (RIFA), os brasileiros, ingleses, cabo-verdianos e indianos eram as nacionalidades que mais escolhiam Portugal para viver em 2022.
Nesse ano, foram os brasileiros quem escalou o recorde: aumentaram mais de 17% face ao ano anterior, e mantiveram-se o país com mais habitantes a residir em Portugal: 30,7% do total de imigrantes.
Imigrantes de países em desenvolvimento recebem menos
Em relação ao salário, há uma grande diferença entre quanto ganha um português e um estrangeiro. A média salarial geral foi de 1081 euros para os portugueses e 1024 para os estrangeiros, mas os dados datam de 2021.
Em profissões mais qualificadas, como técnicos de nível intermédio dos serviços jurídicos, sociais, desportivos ou culturais, os estrangeiros recebem quase quatro vezes mais que os portugueses, mas quando se trata de trabalho não-qualificado, o imigrante fica a perder.
Os trabalhadores estrageiros por contra de outrém dividem-se entre os que ganham mais que os portugueses, provenientes maioritariamente de países em desenvolvimento - norte-americanos, belgas ou espanhóis com cerca do dobro - e os que ganham menos, oriundos essencialmente de países em desenvolvimento, como os nepaleses, bengaleses ou tailandeses - com cerca de 30% do salário português.
De acordo com dados fornecidos pela Pordata, o ano passado, um em cada três imigrantes em Portugal tinha contratos de trabalho temporários e quase um terço - 31% - viviam em situação de pobreza ou exclusão social, mais 11% do que os portugueses.
É, ainda, apontado no relatório que se analisam dados exclusivamente referentes à população estrangeira, pelo que "inúmeros imigrantes e seus descendentes já com nacionalidade portuguesa" são excluídos da análise.
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