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Novos Olímpicos: do street dance às raquetes, há mais desportos em Paris e Los Angeles

  • Foto do escritor: Carolina Bastos Pereira e Luizi Duarte
    Carolina Bastos Pereira e Luizi Duarte
  • 11 de nov. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 13 de jan. de 2024

Os Jogos Olímpicos têm mais uma edição à porta, e trazem novas modalidades. Em 2024, introduzem-se breaking e o slalom, mas há mais. Para 2028, já se conhecem cinco novos desportos, como o squash, que vão marcar presença nos Estados Unidos.


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Vanessa Marina treina na foz do Douro, no estúdio MXM. Foto: Carolina Bastos Pereira

"Estes desportos acendem a imaginação no terreno de jogo e empurram a cultura fora dele. São relevantes, inovadores e baseados na comunidade, jogados em recreios e parques, centros comunitários e estádios por todo o país e o mundo".


As palavras são de Casey Wasserman, presidente do Comité Organizador dos Jogos Olímpicos, no comunicado em que anunciou as novas modalidades que vão integrar a edição de 2028.


Mas não é preciso esperar tanto: é já para o ano, em Paris, que há novos desportos a participar nas Olimpíadas. Vanessa Marina, campeã nacional de breaking, diz que o objetivo é dar "um ar mais fresco e juvenil" aos jogos.


O breaking "não é só uma dança", é também um estilo de vida. Vanessa diz que "a roupa, e mesmo o carácter e a personalidade" são elementos essenciais para a prática deste desporto, que teve origem em Nova Iorque, nos anos 70, derivado da cultura hip-hop.



É um desporto em que "a personalidade conta, especialmente porque o que nós fazemos é tudo improvisado": não há espaço para falhar, "não vale repetir" e "é preciso ter um grande vocabulário" e "não ser réplica de ninguém. Por outras palavras, ter um "estilo próprio" é essencial.


"A linguagem que eu falo melhor é o sarcasmo, e a minha cara diz tudo", e portanto "a minha dança é um bocado cartoon", confessa a atleta, que nasceu em Leiria mas treina no Porto, no estúdio MXM. "O povo português também é muito assim, e eu tento transmitir isso".Vanessa vai aos qualifiers em Budapeste, e já está entre as 40 melhores do mundo na competição olímpica.


Sendo uma competição de confronto - que nasceu como um combate aos "problemas de sociedade" -, com batalhas um para um ou em grupo, a modalidade permite também expressar revolta, e até mesmo empoderar quem tem menos voz na sociedade: possibilita"uma automanifestação tão grande que pode ser um bocadinho intimidante, mas o breaking ensina as mulheres a serem mais frontais".


Este ano, o breaking entra para os Jogos Olímpicos (após uma aparição nos Jovos Olímpicos da Juventude, em 2018), mas será um caso excecional - em 2028, vai ser removido. Também a canoagem slalom, com kaiakes extremos, vai ser introduzida na próxima edição dos jogos, em Paris.


Para Vanessa Marina, a exposição que o evento vai, inevitavelmente, trazer à modalidade é uma boa oportunidade para conseguir patrocínios, que ainda são escassos. Assim, comenta que se deve "aproveitar essa rampa de lançamento para não deixar [esse reconhecimento] ir abaixo".


Para 2028, também já se conhecem"os escolhidos"

São cinco as novas modalidades selecionadas pelo Comité este ano para integrar os jogos em Los Angeles, no verão de 2028.


O flag football - uma versão menos violenta do futebol americano -, o críquete, o squash, o softbol - versão feminina do beisebol -, e o lacrosse são as novidades que trazem desportos apreciados nos Estados Unidos à competição.


Embora seja um desporto maioritariamente praticado por egípcios, o squash, jogado num campo próprio com raquetes específicas, tem também atletas em Portugal, como Norberto Monteiro, campeão nacional natural de Estarreja, até ao ano passado - quando foi ultrapassado por Rui Soares.



O squash já foi eleito pela revista Forbes como o desporto mais saudável: "mexe o corpo todo, queima muitas calorias", comenta Norberto. "Há pessoas que treinam uma ou duas vezes por semana e adoram porque queimam muitas calorias em pouco tempo".


De um desporto criado numa prisão em Inglaterra - cujo objetivo central é marcar ponto ao adversário, impedindo-o de apanhar a bola, atirada contra a parede -, o squash passa agora para os Jogos Olímpicos.


"As regras [para o apuramento olímpico] ainda não estão bem definidas", mas como a maioria dos campões mundiais são egípcios ou ingleses, não é possível saber se todos os países vão ter uma oportunidade de se representar.


"À partida, o apuramento vai ser feito através do ranking mundial. O Rui Soares é atleta profissional em Inglaterra, é o nosso grande jogador, e está no ranking mundial, em 59º lugar".


Há, então esperanças para os portugueses representarem o squash em Los Angeles em 2028, tanto com Rui Soares como com duas atletas, Sofia Pita e Catarina Nunes, que também constam no ranking.



No entanto, em Portugal é muito difícil viver profissionalmente deste desporto, devido ao baixo número de atletas, não existindo ligas de clubes. O desporto é mais praticado na Madeira e no Algarve, trazido há mais tempo "pelos ingleses para os resorts".


Para Norberto, os Jogos Olímpicos podem dar destaque ao squash "criando mais campos e mais praticantes. No fundo, seguir o exemplo dos ingleses e criar essa liga de clubes e condições para que haja profissionais".


Uma edição à porta


Portugal tem esperança: não é só nas categorias já conhecidas que vai marcar presença em França, já no próximo verão, ou em Los Angeles, em 2028: há sete novas oportunidades, que podem trazer vitórias.


"Não gosto de perder, e vou lá dar o meu melhor", promete Vanessa Marina aos portugueses. "É como diz o Ronaldo: 'na minha cabeça, eu sou o melhor'".


Resta, agora, esperar pela próxima edição dos Jogos, com cerimónia de abertura agendada para 26 de julho de 2024 - e que, pela primeira vez, não será num estádio, mas no rio Sena. São 18 dias de competições, espalhadas por 12 lugares.








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