top of page

Que futuro se reserva para as ilhas do Porto?

  • Foto do escritor: Jornal Vértice
    Jornal Vértice
  • 8 de jan. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 15 de jan. de 2024



Esta é a quarta parte de uma grande reportagem sobre as ilhas do Porto. Clique aqui para ler a terceira.

Em zonas como as Fontaínhas, há dezenas de ilhas que continuam a não reunir condições de habitabilidade. Em paralelo, o investimento privado continua a criar mais alojamento turístico e estudantil nestes espaços. Entretanto, a Câmara Municipal continua a ter interesse em "reconverter" as casas em complexos dignos.

ree
Nas Fontaínhas, ainda há casas sem casa de banho ou cozinha. Foto: Carolina Bastos Pereira

Em várias ilhas do Porto o investimento privado já se fez sentir: é possível verificar a conversão das velhas casas em alojamentos locais ou residências universitárias. É o caso da Ilha do Galo Preto, um antigo complexo onde agora vivem, pelo menos, uma dúzia de estudantes.


Quem o conta é Vítor Oliveira, que mora há 64 anos na rua de S. Vítor. Em frente à sua casa, há também um hostel, construído dentro de uma ilha: "não temos sossego, fazem muito barulho", comenta.


Na ilha do Galo Preto, os vizinhos comentam que o preço de um quarto para estudantes ronda os 400 euros. As casas foram reabilitadas por dentro e por fora, para que a sala desse lugar a novos quartos, e na ilha originou-se uma linha invisível: do lado direito, residências universitárias restauradas, com vidros duplos e casa de banho no quarto; do lado esquerdo, casas ao abandono ou habitadas em condições precárias.


Alice mora do lado esquerdo, e gosta de ter como vizinhos os "jovens caladinhos" que vivem na ilha. Em sua casa, "escorre água pela parede do quarto e da sala", e a senhoria "vai ter de fazer alguma coisa, mas já se sabe que a renda vai subir". Conta ainda que, nessas casas antigas, a renda, muitas vezes, não chega aos 50 euros por mês.


Futuro em aberto: não há mais PRR, mas CMP quer continuar reformas

Enquanto o futuro das ilhas do Porto está por definir, a Câmara Municipal (CMP) chegou a acordo para comprar o Bairro dos Moínhos. No entanto, o destino das famílias que ali residem permanece incerto. O motivo da aquisição é a exposição do bairro às cheias, das quais foi vítima em 2023. O futuro da zona não será, portanto, habitacional, podendo destinar-se à criação de bacias de retenção.


Mas o futuro de Campanhã não passa pela erradicação das ilhas. O vereador Pedro Baganha admitiu ao VÉRTICE que a rua de São Vítor, nas Fontaínhas, é uma zona possível para acontecer uma reestruturação como a que está a ser levada a cabo na Lomba, já que se encontra dentro de uma Área de Reabilitação Urbana (ARU), com uma ORU (Operação de Reabilitação Urbana) já aprovada.


Entretanto, as famílias enfrentam um futuro indefinido. O PRR já não vai cobrir o investimento camarário, visto que o prazo de submissão de candidaturas termina este ano. No entanto, autarquia está em negociações com os senhorios, e o objetivo é criar um plano para aquisição e reabilitação. As condições de habitabilidade são "de miséria", comenta o vereador, e a Câmara do Porto quer "garantir o bem-estar" dos residentes.


Comentários


Contactos

verticejornal@gmail.com

@jornalvertice_

Via Panorâmica Edgar Cardoso, 4150-564 Porto

bottom of page